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Câncer gástrico

O câncer gástrico é ainda uma neoplasia bastante comum e que apresenta alta mortalidade, apesar de sua incidência estar reduzindo gradativamente. No Brasil, representa a terceira causa de óbito por neoplasia em homens, e a quinta causa em mulheres.

Adenocarcinoma gástrico

Entre os tipos histológicos, o mais comum é o adenocarcinoma gástrico, que corresponde a 90% dos casos. Outras formas menos comuns são os linfomas, os tumores carcinoides, GIST e as metástases de outros órgãos.

O desenvolvimento do adenocarcinoma gástrico está ligado a fatores ambientais e genéticos. Entre os fatores de risco ambientais, estão a infecção por Helicobacter pylori, o tabagismo e o consumo elevado de alimentos salgados e defumados; ao contrário, alimentos ricos em antioxidantes, como frutas, verduras e peixes podem ser um fator de proteção. Entre as causas genéticas, está a história familiar de câncer gástrico, tipo sanguíneo A, e a presença de determinadas condições tais como polipose adenomatosa familiar e síndrome de câncer colorretal hereditário não poliposo.

H. pylori

Entre estes fatores, a infeção pelo H. pylori merece destaque. Sabe-se que o H. pylori é uma bactéria que infecta cerca de metade da população mundial. Apesar disso, estima-se que somente uma pequena parcela destes pacientes irá desenvolver câncer gástrico, o que está ligado à predisposição do indivíduo e a fatores de virulência da bactéria, levando à progressão da gastrite crônica para outras formas evolutivas de atrofia, metaplasia ou displasia. Outras condições consideradas de risco para evolução para estas formas histológicas e, portanto, de risco para o desenvolvimento de câncer gástrico são a anemia perniciosa, a presença de adenomas gástricos e a gastrectomia parcial prévia.

O câncer gástrico apresenta bom prognóstico em sua fase precoce. Infelizmente, somente uma pequena parcela dos pacientes fazem diagnóstico na fase precoce do tumor, principalmente porque neste estágio, os pacientes são assintomáticos em 80% dos casos. Alguns pacientes podem apresentar sintomas vagos de má digestão, atrasando sua ida ao médico. Em fases mais avançadas, os sintomas podem ser perda de apetite, emagrecimento, anemia, vômitos e dor abdominal semelhante à da úlcera péptica.

Por isso, é importante que pacientes com sintomas novos ou com fatores de risco sejam avaliados. A endoscopia digestiva alta, além do seu papel no diagnóstico do tumor gástrico, também atua na terapêutica, já que tumores em estádio precoce podem ser avaliados para tratamento endoscópico. Em estádios avançados, os pacientes devem ser encaminhados para tratamento cirúrgico ou oncológico, conforme avaliação médica prévia.

 

Dra. Janaína Sant’Ana Fonseca

CRM/SC 22999
Gastroenterologia – RQE 13670

 

 

Dr. Marcelo Henrique Rovaris

Diretor técnico da Rovaris Med
CRM/SC 8723
RQE 12705 Endoscopia
RQE 12706 Cirurgia do Aparelho Digestivo

 

Referência Bibliogáficas

Sakai, Paulo. Tratado de Endoscopia Digestiva Diagnóstica e Terapê 3ª edição. 2014.

Sleinsenger e Fordtran. Tratado Gastrointestinal e Doenças do Esô 9ª edição. 2014.

Consenso brasileiro sobre câncer gástrico: diretrizes para o câncer gástrico no Brasil. Arq Bras Cir Dig 2013.